?

Log in

No account? Create an account
 
 
24 November 2006 @ 09:04 am
 
Título: It was your life
Tradução: Isso foi sua vida
Autora: Lua
Beta reader: Lua
Shipper: Pierre/David
Fandom: Simple Plan
Censura: 16+
Gênero: dark lemon *estupro*, dark, slash, angst
Teaser: “Eu senti as duas mãos dele em minhas coxas, pressionadas contra a calça, e deslizando sobre elas. Ele apertou minhas coxas leve-me enquanto eu tentava conseguir alguma calma. O medo estava juntando-se ao desespero e eu entraria em pânico logo se continuasse assim. Eu precisava saber o que havia acontecido.”
Disclaimer: Nada disso aconteceu. Eu não ganho nada com isso e todo mundo sabe que os personagens não são meus. ^^

Capítulo V:
 
The knife wants to slit me
A faca quer me fatiar
Do you think you can help me ?
Você acha que pode me ajudar?
I know, it’s over –The Smiths
 
 
Eu não sei quanto tempo fiquei no chão, sem coragem ou, talvez, forças para levantar. Pierre falou algo, mas não ouvi. Algum tempo depois ele saiu da sala e eu me arrastei até a cama. Arrastei eu digo, mas na verdade eu cambaleei até ela. Cai sobre o colchão fino como um saco de batatas, pesado, apenas me largando sobre as tábuas duras. Tudo parecia latejar ou doer e havia algo pastoso entre minhas pernas. Eu não tinha ânimo para me forçar a tomar banho.
 
Fiquei deitado por horas, apenas encarando o teto e respirando devagar. Eu estava com frio e tremia, mas me mover implicaria mais dor. Depois de muito tempo, eu suponho, tentei me sentar, esperando em vão que a dor não aumentasse. Reprimi um grito e me apoiei na cama para levantar. Aos passos lentos e oscilantes fui até o banheiro, apoiando-me na parede para tomar banho. Usei a mesma toalha velha que das outras vezes, mas agora tinha a impressão de que ela estava úmida e mais fria que normalmente. Encostei as mãos na parede e fiquei olhando para o chão até ter coragem de lavar meu corpo. Esfreguei o pedaço áspero de sabonete contra pele, deslizando-o sobre ela até chegar as minhas coxas e parar. Lentamente passei-o por ali, retirando o sangue seco.
 
Sai debaixo da água e tremi de frio, me secando com a toalha que parecia apenas me deixar com mais frio. Procurei alguma peça de roupa no banheiro, como fizera quando encontrei a camiseta, mas não encontrei nenhuma e tive que vestir a que usava antes. Voltei para o quarto e me deitei na cama, encolhi sob o fino cobertor, sentindo-me pior do que em qualquer outro momento. Fiquei apenas deitado e não sabia mais nem estimar quanto tempo havia se passado. Tudo parecia tão fora da vida que eu tinha que era quase impossível ter certeza de que eu não iria acordar e descobrir que fora apenas um pesadelo. Bem...a certeza não era tão difícil de se ter, mas eu insistia em dizer a mim mesmo que não era real. Era ruim demais. Eu queria apenas voltar para casa. Eu queria que alguém me achasse.
 
Eu estava com medo, mais ainda do que antes. Cada ruído que eu ouvia enquanto me encolhia o mais que podia na cama me fazia pular, com medo de que Pierre voltasse e fizesse tudo de novo. Eu apenas dormia e acordava, mordiscando as bolachas amolecidas que restavam das que Pierre havia me trazido. Eu queria saber quanto tempo fazia. Sempre que eu acordava havia algum sangue em minhas coxas ou no colchão velho. Eu não ligava muito, apenas evitava me mexer e aumentar a dor constate. Pierre não aparecia, ao menos enquanto eu estava acordado. Eu tinha a impressão de que ele me deixara lá trancado para morrer de fome, mas essa idéia mostrou-se errada quando eu acordei, outra vez naquela cadeira.
 
Ele estava ali, sentado a minha frente, sorrindo, espetando uma faca em uma maçã. Eu estremeci de medo, percebendo que eu estava usando uma calça folgada de moletom. Meus olhos ardiam pela fraca luz da vela e todas as partes em meu corpo que doíam pareciam ter piorado. Agradeci mentalmente por não haver fita em minha boca dessa vez.
-Eu o vesti. –Pierre disse, cortando a maçã, calmamente. –Você parecia estar com frio.
 
Não respondi que a culpa era dele, uma vez que levara minhas roupas.
-O que você quer? –perguntei, tentando me acalmar.
-Conversar.
 
Pierre riscou a caca da fruta com a ponta da faca e me encarou.
-Você não quer conversar comigo? –ele perguntou, sério.
 
Eu estava nervoso, sentindo as lágrimas e acumularem em meus olhos. Abri a boca para falar, mas não fiz nenhum som.
-Não quer, se bobinho?! –ele pareceu irritado outra vez e eu estremeci, vendo-o perfurar a maçã com aquela faca. –O que você quer então, David? Diga-me.
 
Balancei a cabeça, negando, sem saber ao certo o que eu negava. Pierre ergueu-se, a faca ainda presa na maçã me tranqüilizava de certa forma, mas a proximidade com ele jogava-me de volta ao pânico. Pierre parou na minha frente, inclinando-se para que seus olhos ficassem no mesmo nível que os meus. Ele segurou meu queixo com força e perguntou outra vez entre os dentes cerrado o que eu queria.
-Eu quero ir para casa. –respondi baixinho, depois de algum tempo tendo seus dedos apertando meu queixo.
 
Pierre não soltou meu queixo, apenas me encarando por algum tempo, parecendo decidir o que fazer comigo. Eu estremeci de medo, desejando que não o tivesse irritado. Ele apertava meu queixo com os dedos, parecendo gostar da expressão de dor que eu tinha em meu rosto. Por fim, ele sorriu, quase rindo em seguida. A mão dele soltou meu queixo e deslizou pelo lado da minha bochecha. Pierre aproximou seu rosto e beijou meus lábios de leve, não aprofundando o beijo, mas conseguindo me desesperar ainda mais.
-Davey, Davey. –ele disse, sorrindo, ajeitando meu cabelo atrás da orelha. –Sinto muito, mas você não vai mais voltar para casa.
 
Eu estremeci, encarando-o pela primeira vez em dias. Aquelas palavras significavam que eu ia morrer? Era isso?
-Por quê eu? –eu disse, baixinho, já esperando o tapa que não veio.
 
Pierre se afastou, voltando para perto da mesa e apagando a vela com um sopro. Fiquei nervoso com o escuro, temendo o que ele faria. Por segundos não pude ouvir nada além das nossas respirações quase silenciosas. Entreabri os lábios, umedecendo-os com a língua e fechando-os, outra vez. Ouvi um ruído seco atrás de mim. Desejei me virar, mas estava fortemente amarrado na cadeira. Fechei os olhos, apavorado. Senti a respiração dele em meu pescoço e retesei a coluna.
-Eu proponho uma brincadeira, Dave. –ele disse, próximo ao meu ouvido.
 
Senti um objeto frio passando por minha bochecha e estremeci, sabendo que era a faca.
-Você pode me fazer perguntas e eu vou te responder tudo que você quiser saber.–ele sussurrou no meu ouvido. –Mas...eu vou te pedir para dizer algumas coisas....e se você não disser rápido... isso aqui. –ele pressionou o metal contra minha pele, mas não de modo que cortasse. –Vai te machucar.
 
Eu queria discordar, não aceitando o que ele propunha, mas não tive coragem, com medo ainda maior devido aquela faca contra minha bochecha.
-Você começa. –ele disse, afastando a faca.
 
Respirei fundo, senti-o passar a mão por minha coxa e desejando me encolher.
-Por quê...ahn...você resolveu me trazer? –perguntei baixinho.
 
Pierre apertou minha coxa, fazendo um leve ruído antes de responder.
-Eu achei você lindo. Lindo demais para ficar por aí.
-Você quis me “salvar”? –digo, indignado, sem medo por instantes.
-Shhh. Uma pergunta por vez. Você tem namorado?
 
Eu sabia que ele já havia perguntado aquilo, mas não entendi porque da insistência.
-Não. –eu disse.
-Sinto muito, mas não é a resposta certa. –ele declarou.
 
Como assim? Eu não entendia a lógica dele, mas, antes que eu pudesse realmente pensar nisso, sentia algo pressionado contra o meu ombro. Doía e ele apenas pressionava mais, arrastando o que eu sabia ser a faca sobre uma parte da pele. Ardia e eu sabia que ele tinha pressionado fundo o suficiente para sangrar pelo menos um pouco. Choraminguei baixinho, desejando que ele parasse, o que realmente aconteceu.
 
Pierre passou o dedo sobre corte, apertando-o e eu ofeguei de dor. Ele parecia divertir-se me proporcionando sensações dolorosas.
-Você tinha um namorado. Eu sei. Eu vi vocês.
 
Arregalei os olhos para o escuro.
-Como assim?
-Eu segui você. Eu lembro da sua casa, com o a cerca azul que combinava com o azul das janelas e da porta. Eu lembro de ter te visto sentado nos degraus em frente à porta, junto com outro garoto, com as mãos entrelaçadas e trocando beijos rápidos. Tão meigos.
 
Eu me lembrava disso. Era uma das minhas melhores lembranças, mas agora parecia terrível. Eu não queria pensar nele. Eu não podia. Meu estômago embrulhou.
-Quanta falta você sente dele?
-Por quê? –perguntei depressa, sem pensar no que ele poderia fazer e sentindo meu ombro arder.
-Será que você não consegue seguir regras tão simples? –ele disse, beijado meu pescoço.
 
Senti a ponta da faca minha coxa, sobre o tecido, mas pressionada o suficiente para que eu a sentisse furando a pele. Fechei os olhos, tentando apenas ignorar a dor. Pierre afastou a faca e passou a língua sobre o local que ele beijara antes.
-Responda!
 
Estremeci, com mais medo ainda. Eu deveria ser sincero.
-Sinto.
-Não foi tão ruim. –ele disse, calmamente. –Sua vez de novo.
-Como você me achou?
-Não fui eu. – Pierre apoiou o rosto no meu ombro. –Tyson te achou. Sem querer. Ele apenas esbarrou em você e eu soube que precisava traze-lo para cá.
 
Eu queria perguntar mais, mas, quando ele parou, sabia que havia acabado a “minha vez”.
-Você quer vê-lo de novo? –ele disse, acariciando minha cintura sob a camiseta. –Quer ver seu namoradinho outra vez?
 
Fechei os olhos, nervoso. Eu não queria que ele trouxesse Seb ou o matasse. Balancei a cabeça, negando, como uma confirmação a mim mesmo do que eu diria.
-Não.
-Que estranho você sentir muita falta dele, mas não querer vê-lo. –Pierre disse, rindo. –Fale a verdade.
-Quero. –murmurei, com medo.
-Por quê você precisava me trazer para cá?
 
Pierre levantou-se, dando a volta e segurando meu rosto.
-Por quê eu preciso de você. Eu quero mostrar a eles o quão brilhante eu posso ser. – Ele pressionou os lábios sobre os meus e eu estremeci. – Podia ser qualquer um, mas você é lindo. Eu quis sua beleza nisso, entende? Eu precisava. É...essa é a palavra. Precisava.
 
Eu ficava ainda mais apavorado agora. Ele parecia doido o suficiente por isso. Senti as lágrimas escorrerem.
-Minha vez.-ele disse, passando os dedos sobre a bochecha molhada. –Eu fui seu primeiro?
 
Ele parecia se orgulhar disso sem que eu tivesse respondido. Fechei os olhos.
-Não. –menti, desejando que ele gostasse da resposta e não me machucasse.
 
Pierre encostou a lâmina da faca na minha bochecha e passou-a rápido sobre a pele, criando um novo corte. Soltei um ofego de dor, mas ele não pareceu se importar.
-Eu fui?
-Foi. –disse, com medo.
 
Pierre riu. Eu me encolhi como pude contra a cadeira, sentindo as pernas doloridas. Na verdade, o corpo todo dolorido.
-Pergunte.
 
Eu tinha medo de não perguntar. Senti o sangue escorrer pela minha bochecha a partir do corte e desejei limpa-lo, mas não podia.
-Você matou ele? Matou seu irmão? –eu perguntei a primeira coisa que me veio à cabeça em meio ao nervosismo.
 
Pierre não respondeu. Senti a mão dele atingir minha bochecha cortada e me apavorei com a idéia dele me bater muito outra vez.
-Por quê você estava se guardando? – ele perguntou, como se tivesse me respondido.
-Eu... –tremi. – eu..Eu queria fazer isso com Seb....no aniversário dele. –eu disse, de olhos fechados.
-Que bonitinho. –ele murmurou, próximo ao meu ouvido, acariciando meu pescoço com a ponta dos dedos. –Você.
 
Engoli a saliva e puxei o ar com força.
-Você vai me matar?
 
Capítulo VI:
 
Do you really think she'll pull through,
Você acha que ela realmente vai sair dessa?
Let me whisper my last goodbyes.
Deixe-me murmurar meu último adeus.
Girlfriend in a coma –The Smiths
 
Pierre não respondeu e eu senti como se o silêncio dele fosse mais apavorante do que qualquer resposta. Fiquei com os olhos fechados, esperando, intimamente, desejando que ele dissesse que não embora eu soubesse que não seria verdade. Ele passou a mão sobre o corte. Ardeu. Mordi o lábio não querendo deixar escapar o ruído dolorido que eu fiz.
-Estou cansado dessa brincadeira. –ele disse.
 
Um silêncio pesado se instalou no sótão, deixando-me ainda mais apreensivo enquanto ele se afastava. Ouvi a voz dele um pouco distante, atrás de mim, segundos depois.
-Você está nos jornais. –ele disse.Pareceu um murmúrio, mas soava alto o suficiente. – E na televisão, no rádio e possivelmente nas revistas, mas nelas eu não verifiquei. –ele parecia se divertir. – Você é famoso.
 
Eu baixei os olhos, tentando ver meus pés no escuro.
-Preferia não ser. –murmurei, mas ele ouviu.
-Não perguntei, não é? Acho que você não percebeu ainda que sua opinião não importa muito.
 
Eu sabia disso, mas preferia fingir que eu podia fazer algo. Era uma forma de me tranqüilizar, apesar de não adiantar muito.
-Faz três dias que você está aqui.
Três? Parecia tanto tempo mais. Minha mãe devia estar desesperada. Senti-me de alguma forma culpado por minha família. Meus olhos ardiam.
-Eles têm pistas de onde eu poderia estar. –ele riu. –Pistas que eu dei a eles. Amanhã eu preciso ir embora.
 
Aquilo soava como a confirmação de que eu iria morrer. Estava claro. Ele iria e deixaria um cadáver, nada mais. As lágrimas continuavam se acumulando em meus olhos.
-Eu não sei o que fazer com você.
 
Fiquei em silêncio, esperando que ele continuasse.
-Você me irrita. –ele disse após algum tempo.
-Por quê? –arrisquei perguntar.
-Você tem medo demais.
 
Eu me perguntei o que ele esperava de mim. Minhas costas doíam. Eu estava me sentindo horrível e tudo parecia doer, apenas intercalando a região que parecia estar pior. Parte dos machucados que doíam eu sabia terem sido causados por ele. Todos na verdade. O que ele queria que eu sentisse além de medo?
-É mais divertido quando vocês reagem.
 
Pierre caminhou até a minha frente outra vez, puxando a cadeira e colocando-a na minha frente.
 
Passaram-se segundos sem movimentos e palavras vindos dele até que senti sua mão contra minha bochecha cortada. Fiz um ruído engasgado de dor e fechei os olhos. Ele bateu de novo, como se esperando algo para para-lo. O que eu poderia fazer com as mãos e as pernas amarradas? De que adiantava reagir? Eu apenas daria a ele uma desculpa para me bater mais e mais.
-Por quê você não faz nada? –ele perguntou, parecendo irritado. –Por quê você nem grita?! -Ele parecia mais do que irritado quando acertou meu rosto outra vez. – O que você tem? Medo?! Raiva?! Pena?! –Pierre parecia cuspir as palavras em mim.
 
Ele me bateu e tudo que fiz foram ruídos de dor enquanto eu engolia minha própria saliva misturada com sangue. Eu teria o rosto inchado como da outra vez.Eu tinha medo de falar e irrita-lo, mas meu silêncio não era uma boa opção.
-Eu odeio você. –ele disse baixinho.
 
Senti alguma coisa entrando em minha coxa e soube que ele havia enfiado a faca ali. Soube, apesar da dor só ter vindo quando ele tirou a faca na mesma rapidez que a pôs.
 
Capítulo VII:
 
Eu gritei quando ele puxou a faca e tornou a enfia-la em minha perna. Doía demais. Pare. Pare. Por favor. Eu ofeguei ao sentir o metal cortando e tornei a gritar quando ele o puxou. Eu estava chorando outra vez.
-Pára...-eu pedi.
-O que? –senti as mãos dele sob a camiseta, deslizando sobre meu peito. –O que você disse?
 
Pierre passou a faca sobre a pele da barriga, não cortando fundo como na coxa, mas ainda cortando. Eu solucei.
-Pára. –pedi de novo.
-Eu não te ouvi. –as mãos dele saíram debaixo da camiseta e eu senti a ponta da faca em minha bochecha.
-Por favor. –eu estava assustado demais.
 
A faca deslizou por minha bochecha e eu pedi mais alto, sentia doer. Ele continuou. Os cortes doíam e eu tinha a sensação de que todos sangravam muito.
-Sabe...eu gosto de você Davey. –ele disse, segurando meu queixo.
 
Ouvi o barulho de algo caindo no chão e supus que ele tivesse atirado a faca longe. Senti os lábios de Pierre contra os meus e ele iniciou um beijo rápido difícil para que eu acompanhasse sem dor. Os dentes dele rasparam em meu lábio e eu senti-o puxar meu piercing entre eles. Arregalei os olhos e parei, desejando que ele não fizesse nada.
 
Ele soltou o piercing e se afastou, tocando meu rosto de leve com os dedos, passando-os sobre os cortes. Senti os dedos dele sobre meus lábios e fechei os olhos, com medo do que ele pretendia. Ele segurou o piercing e puxou. Não forte, mas o suficiente para doer. O suficiente para que eu sentisse a pele rasgando. Eu tentei pedir para ele parar, mas não consegui. As lágrimas escorriam. Eu não podia fazer nada. Doía. Muito. Pierre puxou, forte. Eu gritei e puxei os pulsos, numa tentativa automática de pôr as mãos sobre a boca. Dor. Era a única coisa que eu podia ter certeza de estar acontecendo.
-Odeio quando você não fala.
 
Pierre saiu de perto de mim e soltou meu piercing por alguns instantes.Ele voltou algum tempo depois e segurou-me as bochechas, apertando de modo que eu abrisse a boca. Pensei que ele fosse me beijar, mas ele não fez isso.
-Feche a boca e eu corto aqui. –ele passou a mão entre minhas pernas, apertando o local que correspondia ao aqui dele.
 
Esforcei-me em manter minha boca aberta enquanto ele tentava segurar minha língua. Arregalei os olhos ao perceber que ele pegara a faca outra vez.
-Que tal se eu te desse um motivo para não falar?
 
Balancei a cabeça, negativamente, apavorado. Pierre riu e eu senti a ponta da faca tocar minha língua.
-Não. –eu disse, desajeitado, ou, tentei dizer.
-Ah. Finalmente. Eu achei que teria que cortar mesmo para conseguir alguma coisa.
Pierre soltou meu rosto e se afastou, cantarolando baixinho uma música. Meu rosto doía muito agora.
-Por quê você não me mata apenas? –eu disse, não muito alto.
 
Ele não respondeu e eu me perguntei se ele teria ouvido ou apenas estava me ignorando.
-Ah. E você pode ser tão irritantezinho quando fala. –ele disse, como que para si mesmo.
 
Pierre parece se afastar. Algum tempo depois senti os dedos dele passarem sobre meus braços, presos a cadeira, e temi que ele fosse me cortar de novo. Ele cortou, ou ao menos pareceu, a corda que prendia meus pulsos a cadeira.
-Fique quietinho. –ele disse, parecendo rir.
 
Pierre pôs algo de tecido em volta dos meus olhos, amarrando atrás de minha cabeça e eu fiquei nervoso. Fiquei ainda mais nervoso quando ele amarrou meus pulsos na frente e soltou minhas pernas. Ele me pegou no colo, sem fazer comentário algum e eu não ousei perguntar.
 
Senti que ele havia descido as escadas pelo modo como eu acabava sendo balançado.
-Vamos para o primeiro andar, Davey. Eu tive uma idéia.
 
Tentei me controlar, apesar do medo que eu estava sentindo. Ele ia me matar agora? Era isso? Chegamos ao primeiro andar e ele me pôs no sofá, sentado.
-David. Eu quero que você grite. –ele disse, próximo ao meu ouvido, de modo que eu sentia sua respiração contra minha pele. –Grite alto o suficiente para que os vizinhos escutem.
 
Não entendi o que ele pretendia, mas devo ter demorado demais pensando, pois ele encostou a faca em meu pescoço e me mandou gritar outra vez.
Eu gritei. O mais alto que eu consegui com o metal pressionado contra a garganta.
-Mais alto. –ele disse, entre os dentes. Eu tentei, mas o grito não pareceu ter sido mais alto. –Eu vou ter que te fazer gritar mais alto?!
 
Tentei outra vez. Não pareceu ter sido o suficiente. Registrei rapidamente que ele segurou meu piercing e antes de qualquer outra coisa senti dor. Eu soube que ele havia puxado assim que eu gritei. Senti uma espécie de vertigem e achei que fosse cair. Ergui as duas mãos tocando a boca e sentindo o lábio cortado ao meio. Havia sangue, eu sentia o gosto e agora podia perceber pelo toque. Meu estômago pareceu embrulhar-se e as lágrimas escorriam sob o tecido.
-Outra vez. –ele disse, não se importando com o que fizera.
 
Não consegui gritar outra vez. Eu estava tremendo por causa da dor e chorando ao mesmo tempo. Não parecia mais como se a faca ainda estivesse em meu pescoço.
Pierre pareceu se afastar e eu continuei chorando, encolhendo-me sobre o sofá.
-Alguém veio ver. –ele pôs a faca em minha garganta. –Grite ou a dor vai aumentar.
 
Eu engoli um soluço e gritei, ouvindo a campainha tocar logo depois. Pierre tocou meu lábio cortado com um pano molhado e eu tremi, gemendo pela dor.
-Eu gosto muito de você. –ele disse, próximo ao meu ouvido.
 
Senti a faca rasgar a pele da garganta logo depois.
 
 
~*~
 
Havia vários carros de polícia, uma ambulância e um grupo de pessoas curiosas. Um rapaz se afastou do pequeno grupo e entrou no táxi que deixara uma mulher ali há pouco.
-O que houve? –perguntou o taxista.
-Parece que pegaram aquele assassino. E uma vítima.
-O tal do Pierre?
-É. Mesmo nome que eu. –disse o homem no banco de trás.
-A vítima morreu?
-Parece. O rosto todo cortado.
-Agora aquele lá vai pagar quando for preso.
-Ele morreu.
-Desgraçado! –exclamou o taxista.
-É mesmo, não é? –disse o homem, colocando a mão no bolso e apertando a argola suja com sangue seco.
 
It was really nothing
Isso foi realmente nada
It was your life ...
Isso foi sua vida…
Willian, it was really nothing – The Smiths
 
 
Fim.
 
 
 
(Anonymous) on November 5th, 2008 02:26 am (UTC)
uma merda! zuera perfeitto vc sao demais serio estava maravilhosa
(Anonymous) on December 15th, 2009 03:20 am (UTC)
tava otimo mas o final uma merdad
ñ gostei a historia estava perfeita chego no final estrago td um merda vou escreve essa historia e postar no meu fics omo minha
(Anonymous) on January 10th, 2010 02:07 am (UTC)
Eu adorei a sua fic.
Não se preocupe com criticas de quem não sabe do que está falando.

É ótimo saber que ainda existe autoras que não se deixam levar pelo cliche. E realmente surpreendem o leitor.

Sua fic me surpreenddeu,durante os cap tentei imaginar o que fosso acontecer. Menos essa morte.

Os diálogos no final deixaram claro como o Pierre era louco. Não fazendo sentido algum em seus comentarios e ações.

Parabéns

Luh