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fics_de_bandas

Título: It was your life
Tradução: Isso foi sua vida
Autora: Lua
Beta reader: Lua
Shipper: Pierre/David
Fandom: Simple Plan
Censura: 16+
Terminada: Sim
Capítulos: 7
Gênero: dark lemon *estupro*, dark, slash, angst
Teaser: “Eu senti as duas mãos dele em minhas coxas, pressionadas contra a calça, e deslizando sobre elas. Ele apertou minhas coxas leve-me enquanto eu tentava conseguir alguma calma. O medo estava juntando-se ao desespero e eu entraria em pânico logo se continuasse assim. Eu precisava saber o que havia acontecido.”
Disclaimer: Nada disso aconteceu. Eu não ganho nada com isso e todo mundo sabe que os personagens não são meus. ^^
N/A: Inspirada numa conversa com ela.

Prólogo:
 
(David’s pov)
 
Eu acordei com a cabeça doendo. Era difícil abrir os olhos já que eles ardiam e quando consegui percebi que tudo estava escuro. Minhas mãos doíam. Percebi que elas pareciam amarradas em algo. Eu estava sentado e sentia que algo estava mantendo minhas pernas no lugar. Abri a boca para gritar. Tentei abrir. Alguma coisa a mantinha fechada. Uma música tocava ao fundo. Eu deveria ter ouvido em algum lugar. Senti o pânico começar a se espalhar. O que estava acontecendo?
 
Capítulo I:
 
And if you should die
I may feel slightly sad
(But I won't cry)
Unhappy birthday – The Smiths
 
(David’s pov)
 
Provavelmente eu havia desmaiado. Eu acordei, não sei quanto tempo, depois. Tentei mexer minhas mãos, mas elas estavam presas de alguma forma. Continuava escuro, mas agora uma luz pálida vinha de algum lugar atrás de mim. Meus pulsos ardiam.
 
Tentei mover minhas pernas, dormentes, mas elas não saíram do lugar, apenas deixando claro que havia algo forte pressionado contra elas e que as mantinham próximas a cadeira em que eu estava. Comecei a ficar mais nervoso. Minha garganta doía e eu não conseguia me lembrar de o que havia acontecido antes de chegar ali.
 
Uma espécie de fita cobria minha boca. Eu queria abri-la, queria gritar. Eu tentei, algumas vezes, mas não conseguia nada além de fazer meus lábios doerem. Por algum motivo meus olhos estavam doloridos e mantê-los abertos era terrivelmente cansativo.
Obriguei-me a fazer isso, tentando enxergar algo naquele lugar que me fizesse saber onde eu estava.
 
Eu puxei meus pulsos, desejando que eles se soltassem, mas eles se mantiveram no lugar, causando apenas uma ardência neles. Eu estava me desesperando. Eu respirava cada vez mais rápido, meus lábios ardiam a cada tentativa de abri-los. Fechei os olhos, com força. Eu queria saber de onde vinha a fraca luz que eu percebia atrás de mim.
 
Meu estômago doía de fome e eu também estava com sede. Quanto tempo eu estava ali? Porque eu estava ali? Minhas costas estavam doloridas daquela posição e minhas pernas estavam dormentes. Tudo parecia doer e contribuir para um desconforto maior.
Tentei falar, produzindo um ruído estranho e baixo.
 
Eu não sei o que houve, mas eu apaguei outra vez. Acordei e não havia mais luz vindo de trás de onde eu estava, mas essa não foi a primeira coisa que percebi. A primeira sensação depois de acordar pela terceira vez foi a de dedos macios acariciando meu pescoço. A informação demorou em ser absorvida por meu cérebro. Arregalei os olhos, retesando o corpo na cadeira, sentindo os dedos subirem por meu queixo, deslizando ora sobre a pele ora sobre a grossa fita que mantinha meus lábios fechados. Senti ar quente da respiração de alguém em meu pescoço e lábios muito próximos a minha orelha.
-Achei que você fosse dormir mais um pouco.
 
Eu tremi e senti meus pêlos se arrepiarem. Era apavorante acordar e se descobrir preso. Podia ser pior quando alguém surgia do nada e acariciava seu rosto, se que você se quer o visse.
-Você está com medo? –ele, sim eu soube que era ele pela voz, sussurrou.
 
Senti os dentes dele roçarem a pele da minha orelha e um breve contato de sua língua com a pele da região logo depois. Os dedos dele contornaram meus lábios sobre a fita.
 
Eu queria me encolher e fugir daquele toque, mas eu sabia que não podia. Acho que também estava chocado demais para tentar fugir. Eu precisava saber o que estava acontecendo. Eu respirava rápido demais. Senti vontade de tossir, mas não pude. Ele afastou os dedos de meu rosto, mas seus lábios continuavam próximos a minha orelha. Sua respiração batia contra minha pele e parecia aumentar o meu medo.
-Eu acho que você está.
 
Eu sentia uma certa satisfação na frase. Ele parecia apreciar o medo que eu sentia, gostando de aumenta-lo e me fazer ficar cada vez mais nervoso.
-Deve estar cansado, não é? Eu posso soltar as suas pernas.
 
Eu senti as duas mãos dele em minhas coxas, pressionadas contra a calça, e deslizando sobre elas. Ele apertou minhas coxas leve-me enquanto eu tentava conseguir alguma calma. O medo estava juntando-se ao desespero e eu entraria em pânico logo se continuasse assim. Eu precisava saber o que havia acontecido.
-Melhor não.-ele disse, apertando minhas coxas com força. –Talvez, mais tarde.
 
Eu pude perceber que ele se afastou e não sei por quanto tempo mais fiquei acordado. Meu estômago doía e minha garganta parecia seca. Eu queria saber quanto tempo fazia desde que eu estava ali e como eu chegara naquele lugar. Que era ele? Droga.
 
Minha cabeça doía. Tentar pensar em qualquer coisa era terrível.
 
Acordei com tudo ainda escuro. Minhas pernas não estavam mais amarradas e era ótimo poder movimenta-las. Dobrei-as várias vezes, com medo de dormir e descobrir que estava totalmente preso outra vez.
-Existem coisas piores do que ser amarrado em uma cadeira e, talvez, você não precisa saber se for bonzinho agora.
 
Eu gelei, ouvindo a voz de algum lugar no escuro. Era terrível. Eu me sentia vulnerável e realmente estava. Desejei que houvesse a fraca iluminação que havia em algum momento antes disso.
-Se você não tentar nada, eu posso arranjar comida para você. Quanto tempo faz que você não come? Será que você sabe?
 
Apertei os olhos, tentando localiza-lo no escuro, mas não consegui nada além de piorar minha dor de cabeça.
Eu queria perguntar coisas a ele. Tentei falar, gerando alguns ruídos.
-Você quer falar comigo?
 
Balancei minha cabeça, afirmativamente, desejando que ele tirasse aquela fita da minha boca. Meus lábios estavam doloridos das minhas tentativas falhas de falar e eu precisava, ao menos, umedece-los com a língua.
-Mais tarde. –ele murmurou.-Aproveitei para mexer suas pernas agora e mantenha seus lábios juntinhos.
 
Eu percebi uma vaga nota de divertimento na frase quando ele falou. Desejei poder vê-lo, mas eu não acho que ele fosse se aproximar.
 
Eu precisava ir ao banheiro, mas não sabia como conseguiria dizer isso a ele. Também não achava que ele fosse ligar. Eu precisava dizer coisas demais, mas não havia como.
Estiquei as pernas e fingi que não havia vontade de nada mais, além disso. Quis dormir outra vez para evitar aquele desespero, mas não consegui. Senti meus olhos umedecerem e eu sabia que não conseguiria evitar que as lágrimas escorressem. Pude senti-l se aproximar e tocar minha bochecha logo depois do primeiro soluço que engoli e tentei esconder. Ele tocou minha bochecha, aproximando o rosto de meu pescoço, mas logo depois se afastando e dando a volta. Ele estava na minha frente, mas eu apenas conseguia divisar os contornos vagos e imprecisos. Não sei bem o que aconteceu depois, mas senti os lábios dele pressionados contra os meus, sobre a fita que mantinha meus lábios unidos.
 
A pressão da boca dele contra a minha, ainda que sobre a fita, machucou minha gengiva já dolorida. As minhas falhas tentativas de gritar ou abrir a boca, haviam feito o piercing arranhar internamente minha boca. Ele afastou-se e a dor onde o metal havia pressionado era grande. Fechei os olhos.
-Você é mais bonito que o último.
 
Último? Ele estava falando sobre o que? Meu medo cresceu e eu tentei criar teorias sobre aquilo tudo. Pensei que, talvez, meus amigos tivessem decidi aprontar, mas descartei a idéia quando recordei que eles não deixariam que eu ficasse tão mal. Meu estômago fez um barulho indicando que eu estava com fome e eu ganhei um risinho em resposta.
-Mais bonito que o último e que o que veio antes desse.E que o anterior também.
 
Do que ele estava falando? Quem era? O que era? Eu estava ficando nervoso, mais do que já estava e não sei o que aconteceu depois. Sei que acordei mais tarde, mas não na cadeira em que eu estava. Parecia um quarto, ou algo próximo a isso, não podia definir com certeza porque estava escuro e havia pouca luz, outra vez. Eu estava deitado na cama, sobre uma colcha áspera. Arregalei os olhos e tentei me sentar, estranhamente, conseguindo. Estiquei os braços, mexendo os pulsos doloridos e desejando saber o que estava acontecendo. Levantei-me e procurei o interruptor, mas havia vários pedaços de fita isolante mantendo-o como estava. A felicidade de não estar mais amarrado foi substituída pelo medo do que aquilo poderia significar.
 
Tentei não pensar nisso e continuei explorando o quarto. Havia uma porta que dava para um banheiro. Acho que isso explicava o que estava acontecendo. Parei em frente ao espelho e toquei meu lábio inferior, puxando-o e observando minha gengiva cortada. Fiz uma conchinha com a mão após abrir a torneira e juntei água para jogar ali. Ardeu. Respirei fundo e soltei o lábio, indo fazer o que eu precisava para poder voltar ao quarto. Mais tarde no quarto de novo, descobri um pacote de bolachas de aveia e mel na mesinha de cabeceira. Eu não pretendia comer, desconfiado daquilo, mas meu estômago parecia exigir.
 
Comi algumas bolachas e caminhei pelo quarto, tentando descobrir um jeito de sair. Não parecia haver nenhuma, exceto pela porta trancada. Caminhei mais um pouco, gostando de não estar sentado e sentindo meus músculos doerem. Eu estava parado no meio do quarto, de costas para a porta quando ouvi o barulho de uma chave sendo girada na fechadura. Virei-me com medo, desejando poder me defender. A porta abriu devagar e eu continuei ali, parado, no meio do quarto, em choque. Estava escuro, mas eu podia vê-lo, apesar de não muito bem de longe. Ele virou-se, após fechar a porta e caminhou na minha direção. Minhas pernas não me obedeciam e eu as sentia tremer ao invés de correr. Apenas quando ele estava perto o suficiente foi que eu vi que conhecia aquele rosto. Abri a boca para falar, mas ele pôs tapando a boca e o nariz. Eu devo ter desmaiado.
 
Acordei na cadeira outra vez. Minha cabeça voltou a doer e minha boca ardia porque novamente havia a fita para pressionar meu piercing contra a ferida feita por ele. Abri os olhos devagar e o vi, sentado, numa cadeira próxima a minha, observando-me.
 
Mexi a cabeça e meu pescoço doeu. Fechei os olhos, soltando o ar pelo nariz lentamente.
 
Eu sabia quem ele era. Eu o havia visto antes. No noticiário na noite passada, ainda, mostram um retrato falado dele. Amaldiçoei a minha sorte, mentalmente.
-Eu acho que você sabe quem eu sou, não é? –balancei a cabeça, fortemente, apesar da dor. –Se você for bonzinho e prometer não gritar, eu tiro a fita da sua boca.
Balancei a cabeça concordando. Eu queria que ele tirasse aquele negócio dos meus lábios.
-Se você não for bonzinho, eu vou ter que te ensinar a ser e não garanto que você goste. –ele disse pacientemente.- Ou que vai ser agradável.
 
Ele levantou-se e parou na minha frente, olhando dentro dos meus olhos e segurando meu queixo. Pude ver um sorriso se formar nos lábios dele antes que ele sentasse sobre minhas coxas.
-Eu não menti quando disse que você era o mais bonito.
 
Arregalei um pouco os olhos, apavorado por causa daquilo. Fechei os olhos, desejando que o sorriso sumisse da boca dele, mas abri-os outra vez ao senti-lo virar minha cabeça para o lado. Os lábios dele tocaram meu pescoço delicadamente e eu desejei poder me afastar. Senti-o sugar a pele onde havia pousado os lábios e me mexi, desconfortável, mas ele continuou.
 
Fechei os olhos, apertando-os e esperando que ele parasse. Ele passou a língua sobre minha pele e mordiscou o local logo depois. Era horrível, mas ao mesmo tempo bom. Não bom realmente, mas a sensação era boa. Não. Nada disso. Era desesperador como tudo que havia acontecido desde....desde...eu não sabia quando.
-Sua pele é macia. –ele murmurou, próximo ao meu ouvido, e afastou os lábios depois.-Eu gosto de você.
 
Muito, completei mentalmente, com ironia que não podia manifestar verbalmente. Ele deslizou os dedos sobre minha bochecha, acariciando-a. Abri meus olhos, sabendo que eles deveriam estar cheios de lágrimas. Eu estava assustado.
-Mas você não gosta disso. –ele disse, saindo do meu colo e virando-se, parecendo ofendido.
 
As lágrimas escorreram e ele ficou alguns instantes de costas, antes de se virar e segurar a ponta da fita. Temi o que ia acontecer. Ele puxou a fita de uma vez só, me causando mais uma dor. Eu ia gritar, mas lembrei-me do que ele tinha me dito antes. Apertei os lábios doloridos, mantendo-os juntos e engolindo o grito.
-Doeu? –ele disse, calmamente, observando eu fechar os olhos e apertar os lábios enquanto as lágrimas escorriam. –Fale comigo. Eu acho que nunca ouvi sua voz.
-Dói. –eu disse baixinho.
-Tadinho. –ele disse como dizem para crianças quando elas caem.
 
Novamente ele se aproximou. Senti os dedos dele sobre meus lábios, contornando-os. Ardia.
-O que está acontecendo? –perguntei, desejando que ele respondesse.
-Eu te trouxe para cá.
-Por quê?
-Porque eu vi você e achei que você era lindo. Você é lindo.
-Você me mantém aqui porque me acha bonito?
-Não sei. Eu decidi que traria você quando te vi passando por aqui. Havia outra pessoa nessa cadeira. Havia um outro garoto, menos bonito que você, mas eu sabia que você precisava estar aqui. Só você. Você é meu grand finale.
 
Eu temi o que aquilo significava. Meu medo me dominava. Alguém estivera sentado naquela cadeira antes de mim. Alguém que eu não conhecia estivera sentado ali, talvez, amarrado da mesma forma.
-O que houve com ele?
-Ele?
-O garoto.
-Que garoto?
-O que estava aqui antes que eu.
-Ah. Travis é o nome dele. O namorado dele o chamava de filhote de urso. Ele era meigo. –um pequeno sorriso surgiu nos lábios dele e me causou um estremecimento de medo.
-O que aconteceu com ele?
-Ele morreu.
 
Fechei meus olhos, tremendo outra vez. Eu sabia quem era o garoto. Ele estudava na minha escola. A morte dele fora algo que impressionou demais a comunidade, atraindo a mídia e tendo “amigos” dele aparecendo na televisão com freqüência. O namorado dele tinha se matado no mesmo dia que encontraram o corpo. Era dramático, mas eu achei lindo da parte dele. O que me deixava com medo era o corpo. Se antes Travis era bonitinho, não havia qualquer beleza no cadáver. Os repórteres haviam dito que era como se o assassino tivesse raiva da beleza dos garotos. Plural porque ele não havia sido o primeiro. Era um caso estadual.
 
Dez garotos haviam morrido. Como Travis.
 
Eu estava com medo. Eu seria o décimo primeiro? Era isso? Pela primeira vez eu desejava ter prestado atenção no que diziam naqueles noticiários ou no que minha mãe dizia quando eu saia de casa. Senti-me estúpido e ainda mais apavorado.
-O que você vai fazer comigo?
 
Ele me encarou, fixamente, sem dizer nada. O silêncio que se estabeleceu aumentava meu medo e minha ansiedade. Se ele ia me matar porque ele não fazia logo? Porque me fazer sofrer.
-Você é realmente lindo.
 
Eu não queria ouvir aquilo. Travis era lindo. O garoto antes dele também deveria ser e todos os outros. Lindos. Igualmente lindos. Era como se ele dissesse que ia me matar.
-Você namora?
-Não. –eu disse baixinho, sufocando a vontade de chorar.
-Pode me contar. Ninguém vai ficar sabendo.
-Não tem ninguém.
 
Ele ficou em silêncio por algum tempo e eu tentei lembrar o nome dele. Eu não sabia se era o nome dele, mas havia sido divulgado.
-Eu acho que vão me encontrar logo. –ele me contou.Desejei que acontecesse e que eu ainda estivesse vivo. – Eu sei que é minha culpa se me encontrarem.
-Porque?
-Eu devo ter deixado a minha marca. Eu devo ter sido como todos os idiotas que andam por aí e que não pensam nas conseqüências. –ele gritou. –Maldita busca por atenção!!
 
Ele ficou em silêncio oura vez e eu me concentrei em não notar a dor latejante em minha boca.
-Eu vou morrer. –ele declarou.
 
Vai, respondi mentalmente, como um assassino julgado e condenado. Não tive coragem de responde-lo além de em meus pensamentos.
-Por quê diz isso?
-Eu não pretendo ser pego.Então...eu vou morrer antes.
 
Ele ia se matar. Legal. E eu ia apodrecer naquela cadeira?
-Cansei de conversar com você. –ele disse, levantando-se. –Eu quero saber como é te beijar sem nada entre nossos lábios.
 
Arregalei meus olhos, vendo-o se aproximar. Minha indignação foi substituída por medo outra vez e eu apenas esperei, já que era tudo que eu podia fazer. Ele sentou no meu colo outra vez e me beijou, em espera alguma, como se eu estivesse ali apenas para isso. Meus lábios doíam ainda mais enquanto ele fazia isso e eu não correspondia, sentindo apenas vontade de chorar ou morde-lo.
 
Ele se afastou e me encarou até que eu desviei os olhos.
-Eu estou beijando uma estátua? –ele perguntou e esperou até que eu balancei a cabeça, negativamente.
 
Senti os lábios dele oura vez nos meus e suas mãos seguraram meu rosto. Eu tinha medo de morde-lo e ser “castigado”, mas eu queria que ele se afastasse. Doía. Meus lábios machucados ardiam a cada movimento dos lábios dele. A língua dele pedia passagem e parecia fazer tudo doer ainda mais.
 
Tentei corresponder ao beijo, desejando que assim ele se afastasse logo. Senti as mãos dele em minha cintura e isso me apavorou. Eu choraminguei e ele afastou os lábios dos meus.
-O que houve?
-Dói. –eu disse, chorando outra vez.
-Vou trazer gelo para você.
 
Gelo, talvez, fosse uma boa idéia.
-Obrigado. –murmurei, desviando os olhos.
 
Ele levantou-se. Continuei chorando, sentindo minha garganta e meus lábios doerem. Mexi-me na cadeira, desconfortável, sentindo minhas pernas dormentes outra vez. Eu o ouvi sair por uma porta atrás de mim.
 
O pânico tomava conta, mas tentei imaginar um jeito de sair dali. Eu podia gritar. Ele disse que eu havia passado pela casa enquanto havia outro garoto aqui.
 
Talvez...talvez...alguém poderia ouvir! Animei-me considerando a idéia, mas ao mesmo tempo não querendo fazer nada que pudesse faze-lo me “ensinar” a ser bonzinho. Fechei os olhos, respirando pausadamente e tentando ficar calmo. Eu estava desesperado. Eu ia morrer. Era simples. Ele ia me matar e antes eu ia morrer. Solucei, me permitindo chorar.
 
Minhas costas doíam assim como meus pulsos. Quis poder mexer as pernas outra vez. O que ele faria comigo? Porque eu ainda não estava morto? Eu desejei que ele tivesse me matado logo. Acho que eu ainda estar vivo significava que eu teria algo pior antes de poder morrer. Quanto tempo fazia que eu estava ali? Será que minha família já havia ido a delegacia? Será que eles sabiam que eu havia sumido?
 
Meus olhos ardiam. Eu precisava sair dali. Como? O que eu havia feito para que justamente eu estivesse ali? Eu queria poder ir para casa. Eu precisava tentar e esperar que alguém aparecesse. Abri minha boca, fechei os olhos e me preparei para gritar. Antes que o som saísse uma mão tapou meus lábios e eu arregalei os olhos.
-Eu achei que você seria bonzinho.
 
Retesei os músculos, tenso e amedrontado. O que iria acontecer comigo agora?
-Você precisa aprender a ser bonzinho, David. –eu ouvi a voz dele, próxima ao meu ouvido. –Eu acho que vou te ensinar.
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